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Lar Maria Luísa no “caos” a meio de uma terceira vaga pandémica

Publicado quinta, 04 fevereiro 2021 08:00

 

Com os inúmeros surtos em lares do nosso país durante a 1ª, 2ª e 3ª vaga pandémica, o Lar Maria Luísa da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Cerveira parecia escapar imaculado por esta infelicidade real que existiu em muitos (...)


Com os inúmeros surtos em lares do nosso país durante a 1ª, 2ª e 3ª vaga pandémica, o Lar Maria Luísa da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Cerveira parecia escapar imaculado por esta infelicidade real que existiu em muitos deles, e que, a velocidade vertiginosa provocava mortes, deixando os meios humanos aflitivos numa redefinição de estratégias que fazia separar os lares em duas alas: as dos infetados e as dos não infetados.

Um soturno cenário ficou traçado no Lar Maria Luísa, que durante esta 3ª vaga pandémica ainda a decorrer, não escapou ao que foi uma infeliz ocorrência  nacional noutros lares. Desta vez, foi a 12 de janeiro que se conheceu o primeiro caso de infeção neste lar, “tendo sido ativado imediatamente o Plano de Contingência da instituição e, após o avanço com o rastreio de todos os utentes e colaboradores que, cujos resultados foram evoluindo, dia a dia, para esta calamidade, foram informadas todas as entidades com competência na matéria”.

Dia após dia, a saída dos resultados dos testes era eminente, o que acabou por ditar como peroração, a infeção por Covid-19 de todos os utentes, fazendo soar os alarmes da saúde pública regional, nacional e acima de tudo, do concelho que se via frente a um enorme desafio.

Noticiava em comunicado, dia 19 de janeiro, a Câmara e a Santa Casa que, devido à falta de recursos humanos no concelho e no distrito, a “Segurança Social ativou as Brigadas de Apoios aos Lares criadas pelo Governo, tendo destacado com esta ação, dois enfermeiros e cinco auxiliares de ação direta.

Procurando apoios ativos a todos os utentes, a Câmara Municipal recorreu à Bolsa de Voluntários do Concelho de Vila Nova de Cerveira e do Concelho de Tomiño, na Galiza, ao abrigo da colaboração da Eurocidade Cerveira-Tomiño, assim como contatou o IEFP do Alto Minho e o Centro de Emprego da Xunta da Galicia” de modo a proceder ao recrutamento de pessoas dentro da área para desempenhar funções, podia ler-se no comunicado conjunto daquele dia.

Foram imediatamente prestados apoios municipais ao nível financeiro e da logística (aquisição de todas as refeições no exterior, aquisição de material de desinfeção e equipamento de proteção individual). Tendo estado o “pessoal do lar infetado a 100% , podia ler-se, foi ainda lançado um apelo público aos familiares dos utentes e às pessoas da comunidade em geral para prestar serviço de voluntariado. Em pleno turbilhão “caótico”, era emitido novo comunicado no dia 20 de janeiro a constatar até àquela data o falecimento de 5 utentes na instituição com idades compreendidas entre os 90 e os 97 anos. Mantinham-se “3 utentes hospitalizados e 4 na instituição em estado crítico, com recurso a oxigénio”, informavam ambas as entidades.  Mais adiantavam que, com a estrutura colapsada com todos os membros positivos, apenas 10 asseguravam a rotação de turnos, em serviço de 24h, uma vez que grande parte do pessoal estava de baixa médica. No dia seguinte (21 de janeiro), um médico destacado pelo Centro Distrital da Segurança Social de Viana do Castelo procedeu à avaliação clínica dos 62 utentes que se encontravam na instituição, tendo reencaminhando 3 em estado “clínico mais delicado” para o Centro Hospitalar do Alto Minho, pelo que dos 59 utentes que ficaram na instituição, todos se encontravam em estado “aparentemente estável”. Mais acrescentava o comunicado daquele dia, que estavam ao todo 6 utentes hospitalizados. Os voluntários vinham de forma prestativa e a Santa Casa endereçava o seu enorme agradecimento, inserindo estes nas equipas conforme as necessidades e os horários que mais faziam falta. No dia 22 de janeiro, comunicava-se o falecimento de mais 1 utente na faixa etária dos 80 anos que estava em internamento hospitalar. Mais 2 utentes tinham sido encaminhados para o Hospital e 1 tinha auferido alta médica, tendo regressado à instituição. Ao dia 25 de janeiro, três dias depois, mais 3 utentes tinham perdido a vida (1 encontrava-se internado e 2 na instituição), derivado ao agravamento do estado clínico. Subia assim “para 11 o número de mortos resultante deste surto detetado a 14 de janeiro”, lamentava o Município. Adiantava ainda o internamento de mais 4 utentes, sendo que dos 55 na instituição, 1 inspirava mais cuidados. A 26 de janeiro, mais a morte de 1 utente no Centro Hospitalar do Alto Minho, subindo para 13 o número total de óbitos. Após avaliação clínica efetuada no dia anterior, tinham sido transferidos 2 utentes para o Hospital por inspirarem cuidados médicos.

A 29 de janeiro, num comunicado conjunto, lamentava-se a morte de mais 1 utente hospitalizado, subindo para 14 o número de mortos, e transferidos mais 3 para o hospital (6 utentes hospitalizados no total e 50 utentes mantinham-se na instituição) até à data. No Sábado, dia 30 de janeiro, começaram a regressar os primeiros colaborados com alta autorizada pela Saúde Pública e que, progressivamente, seriam “incorporados nas suas funções”, num cenário delicado que implicou sempre uma atenciosa gestão e levou ao melhor desempenho possível de todos os que ficaram, quase “heroicamente”, a prestar a sua colaboração numa fase de grande necessidade emergencial.Um mês de janeiro para a memória deste lar, num quadro grave que moveu a comunidade geral para este tormento sanitário e social, ocorrido “aqui”ao lado e tocando muitas famílias. Com este surto a ser detetado antes de se iniciar a vacinação nos lares, uma vez que a mesma já estaria pogramada, não fosse o timing de um vírus que surgiu inesperadamente e que rapidamente se proliferou apesar de accionadas todas as medidas de contingência protetivas, talvez o desfecho tivesse sido outro, mas estes factos, não são escolhidos humanamente, porque se fossem, o destino não ditaria este desfecho.

Rita G. Costa
Diretora

 

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