quarta, 13 novembro 2019
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Engaço de uva pode ajudar na cura de feridas do Pé Diabético

Publicado sábado, 19 outubro 2019 14:32

Um estudo feito por investigadores do CITAB da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro está a aplicar extratos de engaço de uva das castas Sousão e Syrah para avaliar o efeito antibacteriano num conjunto de microrganismos (...)


Um estudo feito por investigadores do CITAB da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro está a aplicar extratos de engaço de uva das castas Sousão e Syrah para avaliar o efeito antibacteriano num conjunto de microrganismos associados às feridas do pé diabético. O estudo engloba isolados bacterianos obtidos desde fevereiro de 2009 em mais de 120 doentes, no âmbito de um protocolo estabelecido com o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e aprovado pela Comissão de Ética do mesmo.

O potencial biológico dos extratos foi já avaliado em isolados de úlceras do pé diabético, nomeadamente Staphylococcus aureus (bactéria que representa a maior ameaça para a Saúde Pública e incluído no grupo de prioridade alta pela OMS em 2017 como “agente patogénico prioritário”), resistente à meticilina - antibiótico utlizado no tratamento do pé diabético. Os resultados mostram que, através do “método de difusão em disco, em meio sólido, os extratos de engaço da casta Sousão apresentam atividade antibacteriana, maioritariamente bacteriostática, ou seja, impede o crescimento bacteriano”, explica Ana Barros, investigadora responsável pelo estudo, e Diretora do CITAB.

A aplicação destes extratos mostrou um efeito antibacteriano entre 50 a 100%, quando comparados com o efeito do antibiótico comercial gentamicina.

Além disso, os extratos da casta Syrah, na concentração testada, “afetam a taxa específica de crescimento dos isolados Staphylococcus aureus e revelam um efeito bacteriostático”, acrescenta a investigadora.

Os extratos de engaço destas castas apresentam-se assim como uma “alternativa natural com potencial de ação efetiva contra a Staphylococcus aureus”, pelo que o uso na prevenção das infeções das úlceras do pé diabético “poderá ser de grande utilidade”, refere a equipa de investigação.

Os resultados obtidos através deste estudo tornam-se ainda mais relevantes já que se sabe que a infeção do pé diabético é uma complicação tardia da diabetes mellitus que, quando não controlada, pode levar à amputação dos membros. Em Portugal estima-se que possam ocorrer anualmente cerca de 1.200 amputações dos membros inferiores.

UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro


 

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