terça, 18 maio 2021
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A capacidade de memorização é afetada pelos hábitos modernos

Publicado sexta, 19 fevereiro 2021 10:39

O investigador e neurocientista lusodescendente Fabiano de Abreu estudou o impacto das tecnologias, do quotidiano e de maus-hábitos na capacidade de armazenar e usar a memória cerebral. As conclusões foram agora publicadas no artigo “Técnicas para uma melhor memorização: Levando em (...)


O investigador e neurocientista lusodescendente Fabiano de Abreu estudou o impacto das tecnologias, do quotidiano e de maus-hábitos na capacidade de armazenar e usar a memória cerebral. As conclusões foram agora publicadas no artigo “Técnicas para uma melhor memorização: Levando em consideração as nuances da personalidade”.

Fabiano de Abreu explica que “temos um cérebro que age, a priori, pela sobrevivência e recompensa. Armazenamos memórias com base na emoção para que possamos sobreviver e evoluir melhor. Por essa razão, os traumas nunca são esquecidos. No mínimo, ficam no nosso inconsciente, na região mais primitiva do cérebro”. “Deste modo, o cérebro utiliza muita energia para armazenar tudo o que precisa, e tende a ‘economizar’ em alguns momentos, para que possa usá-la em procedimentos instintivos”, afirma.

O cérebro humano também procura alcançar objetivos para aumentar a produção de neurotransmissores que causam sensações de prazer. “O mais comum é o da felicidade e recompensa, como a dopamina. Sem recompensa não há motivação, sem motivação não teríamos meios para seguir adiante e sobreviver”, destaca.

Com o advento da tecnologia, sobretudo do uso constante da internet, a capacidade de memorização tem sofrido impactos, que, a longo prazo, podem trazer consequências. Por isso, Fabiano de Abreu alerta que “a sobrecarga de informações dificulta a retenção de novas memórias. Há excesso de distrações, que geram ansiedade e estresse, o vício em dopamina e, consequentemente, a disfunção nos mensageiros químicos do cérebro”. “Além disso, a falta de leitura, o sedentarismo, os alimentos industrializados, as drogas, maus-hábitos, o uso excessivo da televisão ou o vício na dopamina são uma forma de o cérebro pedir conquistas mais imediatas, o que causa, além de disfunções, desperdício do tempo que poderia ser utilizado para aprofundarmos mais nos conteúdos”, afirma.

Para amenizar os efeitos nocivos que os maus hábitos da vida moderna podem causar ao cérebro, Fabiano de Abreu salienta que é importante adotar velhas medidas, sobretudo na infância, quando o cérebro ainda está em desenvolvimento. Estas são algumas das medidas apontadas:    

- Dieta com alimentos que supram as nossas necessidades básicas e que compensem as faltas que sentimos. Por exemplo, se há falta de atenção e pouca memorização, deve ser reforçado o consumo de alimentos que promovam uma melhor atenção e memória, como os que contêm ómega 3, luteína, complexo B, vitamina C e gorduras boas, como azeite e frutos secos, chá, entre outros;

- Dormir 8 horas por dia, e não de madrugada, mas sim à noite;

- Exercícios físicos matinais;

- Plasticidade cerebral com mudança de hábitos rotineiros;

Uso da inteligência emocional para definir, de forma consciente, comportamentos que possam trazer uma melhor saúde mental, assim como o controlo para uma melhor atenção e memória mediante a ação. Técnicas e ginásticas cerebrais são interessantes para este processo. Ao reforçar as sinapses, melhoramos a capacidade de fixação nos engramas neuronais.

No caso das crianças, os pais e responsáveis podem incentivar e promover uma cultura de conhecimento e aprendizagem. Fabiano de Abreu refere que tal pode ser feito ao “determinar o que os filhos vão ver na internet e o tempo de consumo”. Além disso, as crianças precisam de ter atividades lúdicas que promovam a psicomotricidade para o desenvolvimento cognitivo. Por isso, é importante “encontrar maneiras e ferramentas para o conhecimento com recompensas que incentivem este estilo de educação. A cultura também se faz a partir da observação e da cópia. Se os pais leem, se os pais têm hábitos que sirvam de exemplo, os filhos tendem a copiá-los”.

Sobre Fabiano de Abreu

Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University; Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio, Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal; Três Pós-Graduações em neurociência, cognitiva, infantil, aprendizagem pela Faveni; Especialização em propriedade elétrica dos Neurónios em Harvard; Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal.

Neurocientista, Neuropsicólogo, Psicólogo, Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da Sociedade Portuguesa de Neurociências (SPN), da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNEC) e da Federation of European Neuroscience Societies (FENS).

 

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