sábado, 30 maio 2020
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Minho: Berço meu, meu caminho

Publicado terça, 19 maio 2020 11:36

O Minho nasce, é fio tísico, medra, perdendo o aguçar, correndo seu leito, até se nos dar. É vida que talha a Ribeira Minho, terra de lendas mouras, onde idílicos campos são pasto, labores (...)


O Minho nasce, é fio tísico, medra, perdendo o aguçar, correndo seu leito, até se nos dar. É vida que talha a Ribeira Minho, terra de lendas mouras, onde idílicos campos são pasto, labores das lavouras. A vinha, ergue-se verde, alvitra um copo de alvarinho, nesse leito de rica gastronomia, o Minho. E o rio, abençoa gentes de rosados rostos, que na imaginação se veem, nas muralhas a postos. Saudosa, a gente se sente, nesta pátria desvalida, pela chegada do que não vem, de adeus que foi partida. Ida, como leito desse rio, do Minho, que corre para o mar, não sozinho, dando as mãos ao Coura, num burburinho. Alto Minho, terra rica e fecunda, de costumes ancestrais, de parcelas pequeninas, compondo terras dos Anais. A História, reza nomes lembrados, em livros, em rochas, em momentos cinzelados. Amanhada, a terra ribeirinha, veste-se do verde, verdinha. Cantado, o ventre da terra abre-se, na alegria do ancião, empunhando pedaço de ferro e pau, a terra forja, talhada é à mão. Abre-se, a terra abre-se, a sementeira inicia, o enterro da terra é esperança, nascerá um dia. Levada, água que verte por entre campos, dando vida ao que brota, da labuta encetada. E um dia, sentindo a luz do sol em meu rosto, ouvindo o Minho no meu posto, ali, naquela margem tão desigual, olhava a Espanha do outro lado. Aqui, no meu Minho, meu amado Portugal. É vil o destino, quando nos arreda desse lugar, deixando cair a noite, em espíritos com luar. Cabisbaixo, lancei uma rocha nas águas do Minho, foi por mor de lhe pedir, nunca me tires esse cantinho. Arredado, já distante de seu leito, dessas águas em rebuliço, apertei o peito. Aqui, a predileção brota em meu ser, por poder olhar, por ver. O Minho, seja seu rio ou região, é pouso de minha alma, regozijo do coração. E tu, se não és do Minho, nem percebes este sentir, não leves a mal! Um dia vais perceber, nessa viagem do teu aqui vir. Tradição, alento, força e tempo, são coisas aqui infindas. São lagares onde os ombros se dão, vertendo o Sangue de Cristo, cantando em oração. Pai, Filho e Espírito Santo, o Minho é terra de amor, e por amor é pranto. Que Deus, as fraquezas nos perdoe, por tanto este Minho adorar, e se um dia nos finar-mos, que sejamos dessa terra, e essa terra encimar. Pois, se o céu é lá em cima, nesse longínquo lugar, daqui do Minho bem o vemos, nele queremos estar.

Rui Manuel Marinho Rodrigues Maia

Licenciado em História pela Universidade do Minho

 

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