segunda, 27 janeiro 2020
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Um acontecimento marcante

Publicado quarta, 18 dezembro 2019 14:12
Não acompanho há décadas os acontecimentos do futebol. Isto, claro está, para lá de quanto acaba por me chegar por via dos noticiários televisivos gerais. Por vezes – a segunda-feira é um desses casos –, acabo por ir saltitando por entre (...)
 

Não acompanho há décadas os acontecimentos do futebol. Isto, claro está, para lá de quanto acaba por me chegar por via dos noticiários televisivos gerais. Por vezes – a segunda-feira é um desses casos –, acabo por ir saltitando por entre os inolvidáveis programas de debate sobre o futebol, mormente com o da SIC Notícias, moderado por Paulo Garcia. E foi o que se deu ontem, o que me permitiu tomar conhecimento dos infames e perigosos acontecimentos que tiveram lugar em Ponta Delgada, quando a comitiva do Sporting entrava no hotel onde ficou hospedada. Bom, caro leitor fiquei quase sem palavras!

O valor moral e social destes infames e perigosos acontecimentos foi bem expresso no comunicado entretanto publicado pela direção do Sporting Clube de Portugal. Penso, todavia, que aqueles acontecimentos foram muito mais longe que os reparos expostos neste comunicado do clube leonino.

Umas dezenas pequenas de concidadãos nossos deitaram-se a atacar verbalmente os jogadores da equipa de futebol do Sporting, mas certamente também a respetiva equipa técnica e a direção do clube de Alvalade.

Em dado momento daquela infame gritaria sem nexo, já de si claramente perturbadora do estado de espírito dos jogadores, surgiu a frase “ALCOCHETE SEMPRE!”, vociferada repetidamente. Ora, esta frase, indiscutivelmente, constitui um apoio ao espírito dos acontecimentos que se encontram agora em julgamento, mas traduzem também um incitamento ao ódio e à violência sobre os jogadores, a equipa técnica e a direção do clube. Para lá de se constituírem, por igual, num instrumento de perturbação da vida global do Sporting.

Tudo isto justifica que o Ministério Público se determine a operar uma investigação a estes acontecimentos de Ponta Delgada, porque não ir por aqui acabará por se constituir numa atitude de aparente tolerância para com este tipo de acontecimentos. E se desta vez foi o que se viu – convém recordar Alcochete...–, amanhã será pior.

Passaram décadas sobre uma presença minha em solo helvético, integrado num grupo de centristas políticos convidados pelos congéneres daquele país. Questionado certo político do país sobre como se pusera fim em certa onda de violência que varrera o país no início do século passado, de si recebemos esta resposta muito elucidativa: penas pesadas para crimes suaves. Uma resposta que os detentores da nossa soberania devem ter presente, ponderando sobre o respetivo valor como instrumento de manutenção da ordem pública.

Hélio Bernardo Lopes
(Barreiro)

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