terça, 22 setembro 2020
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É competente? E corajoso? Rua!!!

Publicado quinta, 04 junho 2020 14:12

A III República Portuguesa foi vivida pelos portugueses, em geral, com grande grau de aceitação. Não embandeiraram em arco, mas souberam ir usufruindo dos benefícios que a Constituição de 1976 a todos concedeu, adaptando-se às (...)


A III República Portuguesa foi vivida pelos portugueses, em geral, com grande grau de aceitação. Não embandeiraram em arco, mas souberam ir usufruindo dos benefícios que a Constituição de 1976 a todos concedeu, adaptando-se às realidades que foram surgindo com grande maestria. Indiscutivelmente, a Constituição de 1976 é um excelente texto constitucional, tendo-se construído em Portugal, ao tempo destes dias, uma democracia internacionalmente classificada em 9.º lugar. Infelizmente, o grande problema da Constituição de 1976 reside nos detentores de soberania. E também no modo autodestrutivo como a grande comunicação social realiza as suas tarefas, invariavelmente à procura de audiências, mas também alinhando com a componente triunfante do momento, que vem sendo o neoliberalismo. Lamentavelmente, a nossa grande comunicação social tem-se constituído num dos grandes cancros da própria ideia democrática, olhada pelos portugueses.

Ora, estão agora aí presentes dois casos que mostram claramente o modo muito português de trabalhar ao nível dos órgãos de soberania: se é competente e corajoso, rua!!! Esses casos são os que envolvem Mário Centeno e Pedro Proença.

Em ambos os casos, é geral a opinião dos cidadãos correntes, de que são personalidades competentes e corajosas, tomando medidas que vieram a ter reflexos nos domínios por si dirigidos. Ainda hoje se pode escutar este ponto de vista, desde que se frequentem lugares sociais e se esteja atento ao que se diz sobre ambos e os respetivos setores de tutela. A verdade é que a opinião dos portugueses, com enorme frequência, não se vê correspondida ao nível de quem dirige as nossas instituições.

Sem espanto para mim, a verdade é parece agora já certo – ouçam-se as palavras de Ana Gomes no seu tempo de comentário na SIC Notícias deste mais recente domingo – que se terá conseguido criar junto dos portugueses a ideia de que Mário Centeno não deve suceder a Carlos Costa na liderança do Banco de Portugal. Essa ideia sustenta-se em argumentos verdadeiramente estapafúrdios, que chegam mesmo a parecer terem sido fruto de uma mancomunação no seio de capelinhas partidárias diversas.

De um modo concomitante, também Pedro Proença passou dos 80 para os 8, porventura – 8: de ótimo, escolhido por quase 90 % de votos, está agora na posição de quem é alvo de um processo de despejo, praticado a toda a velocidade. Um mecanismo que vem mostrar à saciedade que o modo como se escolhe o Presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional o impede de ser independente e de seguir um programa a cuja luz tenha sido eleito. De pouco importa que seja competente, ou mesmo corajoso, porque se não agradar a uns três ou quatro clubes, tem a porta da rua para sair, de preferência a todo o gás.

O que estes dois casos ilustram bem é que a competência e a coragem, em Portugal, valem muito pouco quando se escolhe ao nível institucional: ou se é um sim-sim, ou vai-se pela borda fora. E tudo isto alicerçado numa grande comunicação social, que quando não é cúmplice é acéfala. E é aqui que reside o processo canceroso que vem atingindo a imagem da generalidade das instituições aos olhos dos portugueses.

Hélio Bernardo Lopes

 

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