quinta, 23 janeiro 2020
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Avaria irreparável no elevador social?

Publicado quarta, 18 dezembro 2019 11:16

A sociedade portuguesa apresenta desigualdades sociais enormes. Muitas famílias enfrentam cada vez mais dificuldades para manter um nível de vida, com um mínimo de dignidade. A educação dos filhos é uma preocupação que (...)


 

A sociedade portuguesa apresenta desigualdades sociais enormes.

Muitas famílias enfrentam cada vez mais dificuldades para manter um nível de vida, com um mínimo de dignidade.

A educação dos filhos é uma preocupação que esbarra com grandes obstáculos. O principal tem a ver com os preços proibitivos do alojamento que se agudizam nas cidades onde existem as universidades mais prestigiadas.

Ao longo dos anos, a forma, quase única, que os filhos oriundos das famílias de menos recursos tinham para assegurar um futuro melhor era através do sistema educativo que funcionava como um verdadeiro elevador social.

Na atualidade, para que esse elevador continue a cumprir a sua nobre função tem que haver uma escola pública, nos vários níveis de ensino, de grande qualidade.
Para que isso aconteça, os seus pilares têm que ser o rigor e a exigência e uma classe docente motivada para cumprir esse desiderato.

Numa época em que muitas famílias se demitem do seu papel educador, nunca foi tão necessário um ensino público de excelência.

A verdade é que as políticas públicas muito têm contribuído para demolir a escola pública de qualidade.

O sistema de colocação de professores, as grandes dificuldades com o seu alojamento e o modo como têm sido tratados pelo governo, tende a criar o caos nas escolas, empurrando-as para a mediocridade.

A última machadada foi ter sido decretado o fim dos “chumbos”, até ao 9º ano. Parece que voltamos ao PREC e às passagens administrativas. Aboliu-se a exigência e o rigor.
Instituiu-se uma escola de serviços mínimos. Estuda quem quer, passam todos.

A partir daqui, cava-se ainda mais o fosso, no seio da sociedade, cada vez menos inclusiva e mais desigual.

Só os filhos das famílias abastadas que podem pagar explicações e propinas para a frequência de escolas privadas, podem sonhar com um futuro risonho.

Os outros vão servir para abrilhantar rankings e estatísticas, mas estão entregues à sua sorte e condenados ao insucesso. Quem os devia amparar e proteger abandona-os.

Avariaram, talvez de forma irreparável, o elevador social. E isto tudo acontece, sob a batuta de um governo socialista. Parece inacreditável.

Manuel Marinho

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