sábado, 04 abril 2020
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Biquíni e Estatística: Por que números nos cosemos

Publicado quarta, 19 fevereiro 2020 11:12

Um sorriso ali, um abraço acolá, mensagens, felicitações, alongamentos musculares, palavras, música, gestos e cumplicidades... imensidão de emoções. Agradeço a amabilidade das amigas e amigos Leitores que proporcionaram um momento de coração cintilante na apresentação do meu livro (...)


Um sorriso ali, um abraço acolá, mensagens, felicitações, alongamentos musculares, palavras, música, gestos e cumplicidades... imensidão de emoções. Agradeço a amabilidade das amigas e amigos Leitores que proporcionaram um momento de coração cintilante na apresentação do meu livro “Idiotices para Inteligentes”.

Ainda estou nas nuvens da «insetolância». Mas depois de fruir do direito à preguiça literária, breve, chegou a hora de somar novas aventuras.

Por isso, com saudades dos dias de praia e abençoando quem inventou essa peça de vestuário feminino tão famosa, vou (re)começar por citar alguém que não conheço [Aaron Levenstein, professor norte-americano de Economia (1911-1986)] mas com o qual concordo em absoluto: - «A estatística é como o biquíni, o que mostra é sugestivo mas o que esconde é essencial».

E é depois desta frase lapidar que mistura algo realmente importante para cobrir o corpo com a estatística que eu pergunto? Mas na era digital, da informação à velocidade da luz, números e gráficos a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão numérica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

Brincar com a estatística, é uma maravilha. Os seus números e os seus gráficos derretem-me o coração. E desconfio que ela (a estatística) adora ser observada, elogiada, mimada e praguejada. No passado, a minha reação a tudo isto era do tipo «Não é interessante?» ou «Uau! Não é incrível?». Hoje em dia penso nela de forma diferente, menos emotiva. Ela continua a ser muito interessante e incrível, mas agora sei que também é propensa a enganos e potencialmente conflituosa, dependendo dos ângulos de como se vêm os fenómenos retratados.

Na era da pós-verdade, a realidade é um acessório. Se existe uma obrigação com a veracidade dos factos em áreas como a estatística, por exemplo, o mesmo não acontece com a economia, em que, idealmente, os «criadores» têm total liberdade para mexer com todo o tipo de conceitos e preconceitos, sejam eles reais ou fantasiosos, bons ou maus, duros ou leves.

É preciso um esforço de descodificação.

No Dia Mundial da Estatística, 20 de outubro, a plataforma Pordata lançou uma nova edição do Retrato de Portugal na Europa. Vale a pena ver como nos posicionamos em relação a cerca de 80 indicadores sobre diversas áreas da sociedade, que compararam Portugal com os outros 27 Estados membros da União Europeia. Por exemplo, sabia que em 2018 somos o 7.º país com maior abandono escolar e o país com maior % de trabalhadores por conta de outrem sem ensino secundário (50,2% da População continua sem atingir o ensino secundário).

O Retrato de Portugal na Europa conta, assim, com os seguintes capítulos temáticos: População; Rendimento e Condições de Vida; Educação; Saúde; Emprego e Mercado de Trabalho; Proteção Social; Macroeconomia; Ciência e Tecnologia; Ambiente, Energia e Território; Turismo; Justiça e Segurança.

Algumas curiosidades desse retrato, para a nossa reflexão descodificadora:

Portugal é o 3.º país com menor % de jovens no total da sua população residente.

Tem uma esperança média de vida superior à média europeia.

É o 7.º país com menor taxa de mortalidade infantil. Ocupa a 5ª posição entre os países com maior desigualdade na distribuição dos rendimentos.

É o 7.º país com maior abandono escolar.

É o país com maior % de trabalhadores por conta de outrem sem ensino secundário.

É o 3.º país com maior % de trabalhadores com contrato de trabalho temporário.

É o 4.º país com maior consumo privado em % do PIB.

É o 3.º país, após a Grécia e Itália, com maior dívida das Administrações Públicas em % do PIB.

Encontra-se no 3.º lugar no peso percentual de empresas sem website.

É dos países, ao lado da Alemanha, onde a fatura da eletricidade é mais pesada.

Tem um valor inferior à média europeia no que respeita ao número de emissões de gases com efeito estufa per capita.

Este é o «biquíni» que temos à nossa frente. Boas leituras e melhores interpretações.

Vítor Nelson Esteves Torres da Silva
Vila Nova de Cerveira,
12 de fevereiro de 2020.

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