segunda, 10 agosto 2020
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À procura de uma rolha inexistente

Publicado sábado, 04 julho 2020 08:08

Continua a fabulosa saga da COVID-19 em Portugal, assim como se o problema fosse uma realidade só nossa. Mas mais: a oposição limita-se, com a maior latosa possível, a apontar os erros e as insuficiências da governação, mas sem nunca (...)


Continua a fabulosa saga da COVID-19 em Portugal, assim como se o problema fosse uma realidade só nossa. Mas mais: a oposição limita-se, com a maior latosa possível, a apontar os erros e as insuficiências da governação, mas sem nunca ter tido a incumbência de resolver o problema, de um modo melhor ou pior. Infelizmente, o tempo vai passando e o que nos vai sendo dado ver é o que Salazar apontava como o mal derivado da cega luta partidária, onde a crítica e a maledicência acabam por ser regras omnipresentes, porventura únicas.

Esta realidade intrínseca à nossa vida política, mormente quando se é oposição, acaba mesmo por se ver respaldada pela grande comunicação social, incapaz de defender a imagem de Portugal e os interesses dos portugueses, mormente quando como que embandeira em arco com a recusa em deixar entrar portugueses em certos países, com ou sem razão, com ou sem lógica. O que interessa é a notícia, mesmo que sem lógica e totalmente contrária aos nossos interesses.

As imagens que nos chegam do exterior mostram que a realidade, de um modo muito geral, é muitíssimo pior que entre nós. Surgem festas por toda a parte do mundo, recusas a ordens dos tribunais, como se dá nos Estados Unidos e no Brasil, e quase não se dá voz às interessantes e certas considerações de Lídia Jorge, pelo final da manhã deste sábado, num qualquer dos nossos canais televisivos. Nem a questionaram ao redor daquela sua ideia de que há muito, ainda antes da pandemia, se percebera já que algo complicado poderia estar para se passar no mundo. O que conta é o malhar ao redor da COVID-19, dizendo estar errado o que ontem estava certo. Lamentavelmente, os nossos jornalistas já não se deverão dar conta de que raros se mostram interessados num tema marcado pelo desnorte derivado do desconhecimento científico. É falar por falar, badalar para tentar entreter.

É minha convicção firme que se deveria parar com esta conversa sem nexo sobre a COVID-19. E basta prestar atenção ao que se passou comigo e minha mulher no almoço de hoje, por via das palavras do dono, para se perceber como a nossa grande comunicação social, de facto, se encontra a anos-luz de informar bem e de um modo claro e sintético, os portugueses. Aquele, explicou-nos que, a partir de quarta-feira, entram em vigor as novas normas. Em contrapartida, o principal empregado do café onde lanchámos, quase pelas seis da tarde, de pronto nos avisou que as tais normas já estavam hoje em vigor. E o que é interessante é que os dois restaurantes têm televisor público, amplo, e permanentemente ligado. E mais: poucos saberão o que vai para o ar com aqueles mapas sobre os diversos dados da COVID-19 nas últimas 24 horas.

Chega a ser interessante ouvirem-se jornalistas, mesmo médicos, apontarem o excesso de um briefing diário, mas lá estão eles sempre a mostrar-se e a dizer, muitas vezes, o contrário do que haviam dito na véspera. É, objetivamente, uma loucura.

Esqueçam a COVID-19, nos termos em que a têm tratado, e esperem por novidades com credibilidade muito elevada, em termos de se ter conseguido uma vacina, ou um tratamento muito eficaz. Deixem os portugueses – já poucos, diga-se com verdade – fora dessa inútil conversa de todas as horas sobre a COVID-19!

Hélio Bernardo Lopes

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