quinta, 02 abril 2020
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Prossegue a farsa

Publicado terça, 04 fevereiro 2020 14:38

É difícil relatar por palavras o que foi a minha reação de ontem (e desde ontem!) ao saber das ditas novidades ao redor das alegadas ilegalidades de Isabel dos Santos em lugares diversos do mundo, bem como dos alegados apoios que recebeu, mormente em Portugal. Mas trata-se, no sentido que há dias (...)


É difícil relatar por palavras o que foi a minha reação de ontem (e desde ontem!) ao saber das ditas novidades ao redor das alegadas ilegalidades de Isabel dos Santos em lugares diversos do mundo, bem como dos alegados apoios que recebeu, mormente em Portugal. Mas trata-se, no sentido que há dias referi e volto agora a apontar, de uma farsa. Uma espécie de farsa em demérito relativo.

Admitamos, por hipótese, que todo este noticiado se constitui numa pleníssima verdade. Todavia, a ser assim, percebe-se, e desde há muito, que tudo isto terá de ser um mero caso concreto, mas tendo de ter lugar muitíssimos outros casos, por cá e por todo o mundo. A verdade, porém, é que quase nada se resolve. E mesmo neste caso, continuando a admitir a anterior hipótese, também tudo nos faz crer que não se chegará a uma qualquer conclusão com um mínimo de significado.

Há décadas que tive a oportunidade de escrever que a ordem jurídica portuguesa é uma borracheira. E é esta borracheira, de parceria com o modo português de estar na vida – não viu, não ouviu, não sabe, não pensa, obedece –, que vem permitindo o que ontem a primeira parte da reportagem da SIC mostrou: Lisboa é uma das principais capitais do mundo de lavagem de dinheiro.

Claro está que a reportagem referia também outras capitais, como Londres, Nova Iorque, Dubai, etc.. Mas basta olhar a recente chamada de atenção de Boris Johnson a Vladimir Putin, ao redor do caso Sripall, para se perceber que o mesmo não foi feito aos líderes da Arábia Saudita, em torno do caso Kashoggi. Portanto, este caso de Isabel dos Santos e dos seus familiares, mesmo que possa ser verdadeiro, é apenas um caso num palheiro deles. Um palheiro que é mundial e inerente à estrutura do mundo financeiro do neoliberalismo.

Termino, pois, deste modo: acredita o leitor que alguém português vai ser perseguido judicialmente? E mais esta pergunta: recorda-se de qual era o setor preferencial, na política portuguesa, por parte do poder angolano, quando o Presidente José Eduardo dos Santos liderava Angola? Recorda-se das labaredas de ódio do Jornal de Angola sobre o PS, João Soares e tudo o que havia sido, desde sempre, pró-UNITA? E por fim: depois de tudo isto – recorde o BPN, BCP, BPP, GES/BES, BANIF, etc. –, consegue ainda acreditar que os dados ora divulgados pelo consórcio de jornalistas vai chegar a algum ponto? Claro que não! Em todo o caso, mesmo podendo vir a acarretar chatices para Isabel dos Santos e familiares seus, tudo terminará, por entre nós, em nada. Ou, vá lá, quase nada. É mais um folhetim, obviamente.

E mesmo para pôr um fim neste meu texto: sendo Ana Gomes a tal apontada criadora deste alegado rol de mentiras, e sobre mil e um, que razões terão de existir para que não lhe sejam movidos os mais que expectáveis processos-crime? Ou não tenho razão? Claro que tenho!

Hélio Bernardo Lopes
Jornalista

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