domingo, 18 abril 2021
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Uma porta bem escancarada

Publicado quinta, 04 março 2021 07:05

O caso recente do avião que se preparava para deixar o Brasil com rumo a Portugal, e em que foram descobertos 500 kg de cocaína, mostra como Portugal continua a ser uma porta muito escancarada para a entrada de estupefacientes na Europa, em geral provenientes do Norte de África, da África (...)


O caso recente do avião que se preparava para deixar o Brasil com rumo a Portugal, e em que foram descobertos 500 kg de cocaína, mostra como Portugal continua a ser uma porta muito escancarada para a entrada de estupefacientes na Europa, em geral provenientes do Norte de África, da África Ocidental ou do subcontinente americano.

António Nunes – onde já vai a célebre noite da nossa Ku Klux Klan, que seria de simples tratamento, mas de nunca mais se ouviu uma palavra... – que lidera o OSCOT, explicou já que existe uma rede razoável de aeródromos onde o controlo de fronteiras e alfandegário é deveras fraco. Estou em crer que tal controlo simplesmente não existe, mesmo que minimamente.

Esta realidade, naturalmente conhecida das redes ligadas ao tráfico de estupefacientes, constitui-se, pois, numa autêntica porta de entrada daqueles produtos no espaço europeu, neste caso através de Portugal. Acontece que seria de extrema facilidade operar o levantamento da rede de aeródromos existentes em Portugal, para o que bastaria uma proposta ao  nível da Comissão Europeia, a fim de que, por satélite ou por adequados aviões, o mesmo fosse operado. Todavia, uma tal medida simplesmente não avança.

Ora, neste caso mais recente, do tal avião que estava no Brasil – um Falcon 900 –, tudo aponta para o seguinte – muito provável, segundo penso – modelo explicativo: a droga é introduzida no avião, sem que os passageiros, e também o pessoal de bordo, saibam dessa colocação. Porventura, poderia, no grupo dos que viajariam, existir quem soubesse do que estava a passar-se, mas muitos outros poderiam desconhecer tal mecanismo. O avião faria, com toda a naturalidade, a sua viagem, aterraria, e alguém da quadrilha trataria, depois, de retirar o estupefaciente, fazendo-o percorrer os caminhos para os que o esperavam.

Este modelo é facilmente concebível, podendo mesmo estender-se ao caso de barcos, no lugar de aviões, sobretudo privados. Mas mesmo em grandes navios esta prática pode ter lugar, desde que os materiais sejam lançados ao mar em lugares que possam depois ser localizados, o que, com as atuais tecnologias, é simples de conseguir.

Estou firmemente convicto de que este caso mais recente é apenas mais um, inserido numa infinda sequência, derivada da garantia conhecida por via do modo português de estar na política: abrem-se inquéritos rigorosos, mas não se fecham as portas que estão escancaradas. Ainda hoje estamos à espera do resultados das nossas autoridades sobre quem foi, afinal, que ameaçou três nossas deputadas e mais sete ou oito pessoas, bem como quem terão sido os presentes na manifestação do Ku Klux Klan português em frente às instalações do SOS Racismo.

Opinião de Hélio Bernardo Lopes

 

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