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Novidades desde sempre conhecidas

Publicado segunda, 04 janeiro 2021 07:05

Há um bom tempo atrás, tive a oportunidade de escrever sobre o que verdadeiramente conduziu à Segunda Guerra Mundial, e que foi o Pacto de Munique, celebrado entre a Inglaterra e a França, por um lado, e a Alemanha de Hitler, por outro, celebrado em Munique.


Há um bom tempo atrás, tive a oportunidade de escrever sobre o que verdadeiramente conduziu à Segunda Guerra Mundial, e que foi o Pacto de Munique, celebrado entre a Inglaterra e a França, por um lado, e a Alemanha de Hitler, por outro, celebrado em Munique.

Também salientei, nesse meu texto, que o grande objetivo da Inglaterra e da França foi aquietar a Alemanha de Hitler, na esperança de que este se não determinasse a dominar aqueles dois países, deixando-o livre para tentar investir sobre a antiga União Soviética. Simplesmente, Estaline era um político astuto e sensível, pelo que de pronto se determinou a colocar em funcionamento o Pacto Germano-Soviético, este celebrado em Moscovo. Conclusão: ganhou Estaline e perderam Chamberlain e Daladier.

Quando o conflito terminou na Europa, a Inglaterra veio a confiscar boa parte da documentação de Hitler. E se com os Estados Unidos de pronto os compartilhou, tal não se deu com a antiga União Soviética. Entre outras razões, os ingleses procuraram evitar que o Governo de Estaline viesse a ter um conhecimento real dos contactos havidos entre britânicos e nazis.

Ora, há algum tempo atrás, por via da comemoração do centésimo aniversário do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, (SVR), foi divulgado um conjunto razoável de documentos secretos, até aí classificados como secretos. Estes documentos foram divulgados em livro, intitulado SERVIÇO DE INTELIGÊNCIA ESTRANGEIRA DA FEDERAÇÃO RUSSA. 100 anos. Documentos e Testemunhos.

Ora, um dos documentos ora desclassificados, datado de 05 de junho de 1945, foi enviado para Moscovo por um agente soviético chamado Bob, que trabalhava no quartel-general da inteligência londrina. Neste documento, a dado passo, podia ler-se: os britânicos receiam que se mostrarem os arquivos pessoais de Hitler às autoridades soviéticas, estas ficarão a conhecer os seus contatos com Hitler, e também porque esperam encontrar nos arquivos de Hitler informação sobre o Tratado de Não-Agressão Soviético-Alemão.

Num outro documento ora dado a conhecer, datado de 27 de maio de 1942, Boris Rybkin, agente soviético na Suécia, contém-se uma mensagem sua, de Estocolmo para Moscovo, referindo as condições que Hermann Goering havia estabelecido para se iniciarem as negociações de paz com o Reino Unido. Estas condições eram, então, as seguintes: a Alemanha deverá poder concluir uma aliança sagrada com a Inglaterra e os Estados Unidos contra o designado perigo amarelo, (povos orientais); a França, como uma grande potência, deixará de existir; a Inglaterra manterá todas as suas possessões coloniais; o Império Britânico será garantido pela Alemanha e pelos EUA; a Alemanha ficará a deter o controlo da Europa, incluindo a parte europeia da União Soviética.

Estes documentos corroboram inteiramente o que expus no tal meu texto, publicado há já um bom tempo atrás, na sequência de, por um acaso, ter ouvido José Miguel Júdice expor uma incorreta versão da realidade histórica do Pacto Germano-Soviético. Simplesmente, estes documentos ora desclassificados mostram a realidade que, tantas décadas depois, continua viva: a desconsideração com que as lideranças nacionais europeias – Alemanha e Inglaterra – olhavam o ambiente oriental. O caso das vacinas, chinesa e russa, é mais um exemplo desta desconsideração, fruto do modo xenófobo com que os grandes poderes europeus de hoje ainda olham os asiáticos. Mesmo tendo sido russa a primeira vacina registada, e mesmo inoculada em massa, teria sempre de ser uma oriunda do Ocidente a ser badalada aos sete ventos pela nossa grande comunicação social dita livre. Documentos que ajudam a compreender a História da Europa na segunda metade do Século XX.

Hélio Bernardo Lopes

 

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