segunda, 10 agosto 2020
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António Oliveira Salazar: o outro lado «inconveniente» da história

Publicado domingo, 19 julho 2020 07:05

A história é contada das mais variadas formas, consoante o momento e, obviamente, ao sabor dos objetivos concretos que se querem alcançar. Habituados a lembrar Salazar como o mau, o ditador, o pai da fome e da iliteracia, escreve-mos breves (...)


A história é contada das mais variadas formas, consoante o momento e, obviamente, ao sabor dos objetivos concretos que se querem alcançar. Habituados a lembrar Salazar como o mau, o ditador, o pai da fome e da iliteracia, escreve-mos breves palavras que pretendem repor a verdade sobre um Homem que muito fez pela Nação, pela sua Pátria. Acreditamos que a História é verdadeiramente contada quando interpretada e assimilada de forma holística, e não sob o jugo da parcialidade, em discursos anacrónicos e vazios de verdade. Não se trata de defender nenhum regime político, nem prestar vassalagem a uma qualquer ideologia, mas sim, compreender que o passado, ainda que etiquetado de nefasto, não foi assim tão mau, e que a atualidade, apelidada de progressista - democrática - igualitária e fraterna, não passa de um slogan que a classe política alimenta para se poder manter no poder. Muitos dos trunfos de que goza esta pseudo democracia devem-se ao estadista Salazar e não ao novo paradigma que vingou no último quartel do século XX, após o 25 abril de 1974. António Oliveira Salazar herdou um país em completa banca rota, falido até ao tutano, e nem assim, com manifesto sacrifício, deixou de fazer obra. Portugal ao longo do Governo de Salazar conheceu a Guerra Civil de Espanha e a Segunda Grande Guerra Mundial, tendo ainda que enfrentar a Guerra do Ultramar em três frentes e, com tudo isso, foi capaz de colocar Portugal a crescer 6% ao ano, ao longo da sua última década de governação, deixando muito para além de 600 toneladas de ouro nas Reservas do Estado. Isso, é obra! Onde está esse crescimento, onde está esse ouro? O leitor dirá, foi à custa da fome, da miséria e da iliteracia mas, se assim foi, como foi Salazar capaz de construir o que vamos passar a citar? Lembramos algumas das suas heranças, quer em Portugal, quer nas Ex. Colónias. Em Portugal mandou edificar um número vasto de Bairros Sociais, até mesmo para policias. O Aeroporto Internacional da Portela é obra com o seu cunho,  o Instituto Superior Técnico, a Cidade Universitária de Lisboa - a Biblioteca Nacional - o Instituto Nacional de Estatística - o Laboratório Nacional de Engenharia Civil - o Metropolitano de Lisboa - a Ponte Salazar, desavergonhadamente designada de 25 de abril - a captação e encanamento das águas do Alviela - plantação do Parque florestal de Monsanto - o Estádio Nacional do Jamor - o Estádio 28 de Maio - a Autoestrada da Costa do Estoril - o Hospital Escolar de Santa Maria - o Instituto Ricardo Jorge - o Instituto de Oncologia - o Hospital Egas Moniz - a Assistência Nacional aos Tuberculosos (permitiu o rastreio obrigatório anual às populações estudantis, do Comércio e da Função Pública - a Eletrificação da Linha do Estoril - a Exposição do Mundo Português (permitiu criar a Praça do Império) - o Monumento aos Descobrimentos - a regularização da Estrada Marginal Lisboa-Cascais - a criação da Emissora Nacional de Radiodifusão - a criação da Radiotelevisão Portuguesa - a criação da tão badalada companhia aérea de bandeira portuguesa, a TAP - a nova Casa da Moeda - inúmeras Escolas do Magistério Primário - as Escolas primárias do Plano dos Centenários em praticamente todas as freguesias do país - os Liceus normais em todas as capitais de distrito - as Escolas Comerciais e Industriais pulverizadas de Norte a Sul de Portugal - a Cidade Universitária de Coimbra (Faculdade de Medicina, de Letras, de Ciências) a Biblioteca Geral e o reordenamento urbano envolvente - o Hospital de S. João no Porto - o Laboratório de Física e Engenharia Nuclear em Sacavém - a Ponte da Arrábida - a Ponte Marechal Carmona - a construção de grandes aproveitamentos hidroelétricos com a construção de dezenas de Barragens, como a de Rabagão, Cávado, Douro, Mondego, Zêzere ou Tejo - a construção de Barragens para regadio e recreio, particularmente, nas Beiras, como na vila de Soure e por todo o Alentejo - a beneficiação geral de toda a Rede Rodoviária Nacional - a melhoria das Infraestruturas Ferroviárias bem como a aquisição de máquinas e composições modernas - a melhoria, ampliação e renovação da Rede Telefónica Nacional - as Estações de Correios - as telecomunicações de uma forma geral - as Bases aéreas da Ota - Montijo - Monte Real, Beja, etc. - a Base Naval da Marinha, em Alfeite - aos de Viana, que se congratulam com o sucesso do Navio Hospital Gil Eanes, que deu apoio à frota bacalhoeira, é obra desse “ditador” - a criação das Casas do Povo - a criação das Casas dos Pescadores - a construção ou beneficiação de imensos hospitais, como o Hospital Rovisco Pais (Leprosaria) na Tocha (com dezenas de edificações espalhadas numa área de 110 ha) - o Hospital Psiquiátrico Sobral Cid (perto de Coimbra) com 15 edifícios pulverizados numa área aproximada de 10 ha - o Plano de Colonização Interna, que fomentou o desenvolvimento da agricultura em várias regiões quase desabitadas do país, como em Pegões - a construção de dezenas de Palácios da Justiça e a remodelação de muitos Tribunais - a construção e remodelação de muitos espaços Prisionais e Prisões-Escola - a construção da Central Termo elétrica do Carregado - a criação dos “Livros Únicos” para o Ensino Primário e Secundário, dando origem a uma grande poupança para as famílias portuguesas da época - a criação das Pousadas de Portugal, espalhadas por todo o território nacional - a criação da FNAT - a instituição do Abono de Família - a instituição da ADSE - o acolhimento fraterno e seguro a muitos refugiados de guerra, destacando-se um em especial: Calouste Gulbenkian - que em agradecimento doou a Fundação com o seu nome, e que tem sido um motor importante do conhecimento em Portugal, e na formação de muitos portugueses. Há quem refira que Salazar realizou toda esta panóplia de obras à custa da exploração ultramarina. O que é uma verdadeira falácia, senão, vejamos: Estarão melhor agora as Ex. Colónias do que antes? Faça o leitor o seu próprio juízo. Muito do que foi edificado nas Ex. Colónias foi logo de seguida destruído, após a descolonização esses países ficaram à sua mercê, sendo que muita da sua gente ficou com cursos escolares primários, cursos médios, cursos superiores ministrados e pagos pelo Erário Público Português. Em Angola e Moçambique ficaram cidades completas, com toda a espécie de edifícios habitacionais, Mercados, Redes de abastecimento de águas, Redes de Efluentes, Escolas primárias, Liceus, Universidades, Hospitais, Quartéis e muitas outras instalações militares e mesmo unidades de Radiodifusão. Nas Ex. Colónias ficaram igualmente muitas Pontes e Viadutos, Barragens grandiosas, como Cambambe e Cahora Bassa - imensas Estradas, inúmeras Linhas de Caminhos de Ferro - Portos de Mar - Aeroportos e Aeródromos. Atualmente, passados mais de 45 anos, comparem esses países com o passado, e na verdade dos factos, referenciem-se as verdadeiras vantagens da «Liberdade». O caso de Angola, e da filha do ex. Presidente Angolano são prova de uma guerra feita em vão que diziam ser pelo “povo” - Angola tem atualmente um dos mais elevados índices de mortalidade infantil e pobreza, aliada à corrupção. Aos que tanto apregoam as palavras de Deus, trazemos por analogia um exemplo dos textos bíblicos, quando Jesus foi acusado pelos sacerdotes judeus diante de Pôncio Pilatos, o governador da Judeia, após ter interrogado Jesus, e nenhum motivo ter encontrado para o condenar, o povo presente no julgamento vociferava contra Jesus, exigindo a sua crucificação. Assim, Pilatos ordenou a flagelação de Jesus, exibindo-o ensanguentado, julgando que a multidão se iria comover, o que acabou por não suceder. Esse episódio, ficaria conhecido como - “Ecce homo” - eis o Homem (Rei ou Senhor dos Homens). Pressionado pela multidão, o governador não encontrou outro remédio senão tentar poupar Jesus, solicitando que lhe trouxessem um condenado à morte, tido como ladrão e assassino, de seu nome Barrabás e, segundo uma suposta tradição judaica, concedeu ao povo o direito de escolher qual dos dois acusados deveria ser libertado, e qual merecia a crucificação. O povo, como tantas e tantas vezes, manifestou-se pela libertação de Barrabás, e pela crucificação de Jesus. Assim, aos que pintam de negro todo o passado do Estado Novo, lembrem-se que Salazar pode ser mais um crucificado, ocupando inocentemente o lugar do verdadeiro Barrabás. O povo, como tantas vezes referimos, tem o que merece. Em linha com o velho adágio popular, “diz-me com quem andas, e dir-te-ei quem és”. Aplicando outra analogia, se comparássemos a maturidade de um regime político, seja o Estado Novo, seja esta pseudo democracia, diríamos que o Estado Novo foi fruta que amadureceu, e esta democracia ainda verde, precisa maturar nos muitos longos anos que a esperam até se tornar viçosa e cativante para «consumo». Este artigo, ainda que sucinto, não reflete nenhuma orientação política, ainda mais, quando em Portugal não se percebe onde está a esquerda, e onde está a direita, se é que elas existem. Acreditamos que toda e qualquer ideologia política deve assentar acima de tudo na transparência, na prosperidade dos povos e no sustento seguro do seu futuro, e nunca em elites, que mais não fazem que embolsar para si e para os seus. Salazar, pode ser apelidado de tudo, menos de ladrão do seu povo. Ética, acima de tudo! O mesmo não podemos dizer destes 45 anos de uma completa esquizofrenia política que fez aumentar a nossa divida pública, com uma enorme carga fiscal, com a vida cada vez mais difícil de tantos portugueses,  mantendo-nos reféns da caridade de outros países da União Europeia. Terminamos referindo que em nenhum quadrante político da sociedade portuguesa se encontra qualquer esperança. O Estado está de tal forma domado pelos interesses, que o amanhã deixou de existir...e hoje, dar uma palmada no rabo de uma criança é violência doméstica, como podemos nós dar umas palmadas ao Estado? Nas eleições! Mas, talvez isso fosse coisa má, ou até mesmo um prenuncio de fascismo.


Rui Manuel Marinho Rodrigues Maia

Licenciado em História pela Universidade do Minho

 

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