terça, 27 outubro 2020
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Forças e intensidades novas

Publicado domingo, 19 julho 2020 10:23

Manifestava há dias junto de um amigo que numa situação normal este era o momento em que vos pediria para “desligar a ficha” e vos falaria apaixonadamente de Cerveira e das doces tentações de verão da nossa região, com propostas para (...)


Manifestava há dias junto de um amigo que numa situação normal este era o momento em que vos pediria para “desligar a ficha” e vos falaria apaixonadamente de Cerveira e das doces tentações de verão da nossa região, com propostas para desfrutar do nosso folclore, tradição, etnografia, cultura, festas, romarias, convívios, sardinhadas, cumplicidades, proximidades, praias e esplanadas.

Era e vai ser - pelo menos “desligar a ficha” - se bem que de modo diverso porque o mundo está um pouco “empenado”, mas existem oportunidades que devem ser aproveitadas pois não há mal que sempre dure, nem bem que se não acabe.

Falo-vos hoje exclusivamente da XXI Bienal Internacional de Arte, que regressa de 1 de agosto a 31 de dezembro de 2020, sob o tema “Diversidade-Investigação. O Complexo Espaço da Comunicação pela Arte”. Vão ser 5 meses de cultura.

Todos nós herdámos e fomos incorporando no nosso reportório de experiências histórias que assumiram um papel fundamental na definição do nosso papel enquanto indivíduos, transmitidas por familiares, vizinhos e amigos. E que influenciaram a nossa capacidade de captar o mundo e os seus eventos, o modo de interpretar a realidade e os comportamentos dos outros.

As sucessivas Bienais de Arte são uma dessas experiências enriquecedoras. Na edição de 2020 serão apresentadas mais de 350 obras de cerca de 370 artistas de 38 países que poderá conhecer, gratuitamente, ao vivo ou sem sair de casa.

Há toda uma preocupação da organização em atribuir uma consistência de intervenção nesta nova edição, que incluiu um local de encontro, debate e investigação de Arte Contemporânea, num programa concertado com o Ensino Superior das Artes a nível Europeu. O evento envolve, para além do concurso internacional: representações de universidades, escolas superiores e politécnicos das áreas artísticas, artistas convidados nacionais e estrangeiros, homenagens, espetáculos, conferências e debates, ateliers e workshops e visitas guiadas.

No entanto, as adversidades que parecem intransponíveis acabam muitas vezes por despoletar ideias e soluções tão inovadoras quanto surpreendentes.

Foi o que precisamente aconteceu à edição da nossa Bienal deste ano, pois no contexto de pandemia nunca visto nestes seus 42 anos de vida, o certame manterá o formato adotado desde a primeira edição (1978), mas reforça a internacionalização com a edição digital que permitirá ao público a visita virtual à Bienal de Arte mais antiga do país e da Península Ibérica a partir de qualquer parte do mundo.

Reforço que o tema da Bienal deste ano incluí o termo “diversidade” e que a palavra de ordem neste momento crítico das nossas vidas é “desconfinar”. Diversidade a desconfinar com arte! Será isto uma chave do sucesso?

Gostaria de recordar aqui uma passagem da intervenção proferida no passado dia 10 de junho, pelo Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2020, o Cardeal madeirense D. José Tolentino de Mendonça: - «(…) Porque desconfinar não é simplesmente voltar a ocupar o espaço comunitário, mas é poder, sim, habitá-lo plenamente; poder modelá-lo de forma criativa, com forças e intensidades novas, como um exercício deliberado e comprometido de cidadania. Desconfinar é sentir-se protagonista e participante de um projeto mais amplo e em construção, que a todos diz respeito. (…)»

A crise que enfrentamos não é apenas sanitária, económica, financeira ou política. A visita à Bienal é uma excelente oportunidade para desempoeirar a mioleirinha tão castigada nos últimos meses.
O futuro é um monte de agoras. O futuro é um aglomerado de diversidades criativas. O futuro também é ter a sorte de poder fazer parte do espaço comunitário onde convivemos comprometidos uns com os outros.

“Desligue a ficha” (lá está) e venha saborear a cultura de uma forma construtiva e plena, grátis e em segurança.

Vila Nova de Cerveira, 11/07/2020

Vítor Nelson Esteves Torres da Silva

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