sexta, 28 fevereiro 2020
Imagem topo

Perplexo

Publicado sábado, 04 janeiro 2020 10:23

Chegado a casa depois de almoçar fora com a minha mulher, deitei-me a visionar o noticiário da hora do almoço, para tal recorrendo ao canal televisivo SIC. Lá fui encontrar um excerto de certa entrevista concedida pelo Primeiro-Ministro António Costa a diversos órgãos da nossa grande comunicação social. E um dos temas tratados foi o da negociação de (...)


 

Chegado a casa depois de almoçar fora com a minha mulher, deitei-me a visionar o noticiário da hora do almoço, para tal recorrendo ao canal televisivo SIC. Lá fui encontrar um excerto de certa entrevista concedida pelo Primeiro-Ministro António Costa a diversos órgãos da nossa grande comunicação social. E um dos temas tratados foi o da negociação de sentença. Bom, caro leitor, fiquei perplexo!

O que António Costa ali defendeu, indubitavelmente, constitui uma antecâmara da delação premiada, domínio que há muito se percebeu estar já aceite pelo PS e seus dirigentes. Isto é assim, porque ao ser negociada uma sentença – algo completamente imoral e fora de toda a lógica no Direito Português –, o visado no benefício poderá sempre utilizar a delação premiada como um acréscimo de valoração para a diminuição da sentença que possa vir a ser-lhe aplicada. Passa, como se percebe, a valer tudo.

Dizem os ditos especialistas que nunca tudo será aceite sem mais, mas o que todos nós conhecemos de ginjeira são os romances, os filmes e as notícias que diariamente nos chegam do mundo com terríveis falhanços nestes domínios da delação premiada e do negócio da sentença. Imaginamos todos facilmente, com o modo de estar na vida que é o nosso, no que não virão a dar estas práticas judiciais em Portugal...

Acontece que o Primeiro-Ministro tomou os casos de Madoff e do BES como elementos para estabelecer ma comparação no âmbito da defesa da sua triste ideia ali exposta. Simplesmente, António Costa procurou estabelecer um paralelo entre duas situações completamente distintas. Vejamo-las.

Em primeiro lugar, o caso de Bernard Madoff. Ora, este caso era conhecido desde há muito – mais de 10 anos – nos Estados Unidos. E nunca as coisas teriam chegado ao estado que se viu se, porventura, a crise mundial não tivesse surgido. E depois, o caso teve um desenlace rápido, mas porque Bernard Madoff, perante a evidência por si mesmo exposta, lá se viu obrigado a seguir o caminho menos mau: 150 anos de prisão, em vez de prisão perpétua. Portanto, caro leitor, uma vitória fantástica, mais de dez anos depois de se ter começado a saber que o caso existia mesmo. É caso para que gritemos: éu quér’áplaudirr!!!!

E, em segundo lugar, o caso BES. Acontece que as autoridades portuguesas não têm nada que possam apontar, de criminoso, aos antigos dirigentes do GES/BES, porque se tivessem, bom, já teria existido uma acusação. Portanto, se tivéssemos já a delação premiada e a negociação de sentença, negociávamos o quê e com quem?! Porque se as autoridades portuguesas já têm algo para poder acusar alguém do GES/BES, então acusem! Portanto, não deverão ter. O que não significa que não existam factos criminosos, só que é preciso prova-los e a menos de um mínimo de dúvida.

Fiquei perplexo com este excerto da entrevista do Primeiro-Ministro, António Costa, dado que, sendo jurista e tendo até sido Ministro da Justiça, compara o incomparável, para lá de dar todas as indicações de vir o PS a lançar os portugueses na terrível fogueira de injustiça que são a delação premiada e a negociação de sentença.

Por fim, este mais recente dado sobre mortes por overdose em Portugal: cresceram cerca de 30 %, por via do tal nosso modelo apontado como magnífico... Finalmente, lá se vem reconhecer que o consumo de estupefacientes estará a crescer em Portugal. É caso para que digamos: bruxo... Mais um modelo entre nós surgido pela mão do PS. Estou perplexo!

Hélio Bernardo Lopes
(Barreiro)
Jornalista

 

logo branco

Quinzenário do concelho de Vila Nova de Cerveira. Medalha de mérito concelhio.

Estatuto Editorial do Cerveira Nova

geral@cerveiranova.pt
Telefone: +351 251 794 762

radio cultural de cerveira

Subscreva a nossa newsletter e receba as nossas novidades em primeira mão.