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Camarate

Publicado sexta, 04 setembro 2020 16:14

Conforme garanti há dias, num outro escrito meu, adquiri já a recente obra de Alexandre Patrício Gouveia, OS MANDANTES DO ATENTADO DE CAMARATE. Uma obra que tem um prefácio de Diogo Freitas do Amaral, que tem tanto de qualidade, quanto (...)


Conforme garanti há dias, num outro escrito meu, adquiri já a recente obra de Alexandre Patrício Gouveia, OS MANDANTES DO ATENTADO DE CAMARATE. Uma obra que tem um prefácio de Diogo Freitas do Amaral, que tem tanto de qualidade, quanto de matéria que conseguiu causar-me o espanto que refiro neste meu primeiro texto sobre o que se contém na obre do autor.

Só li, até este momento, o Prefácio, uma Advertência e os Agradecimentos, ficando-me prestes a iniciar a página 23, sendo que a obra termina na página 432. De modo que é pelo Prefácio, escrito por Diogo Freitas do Amaral, que inicio este meu conjunto de comentários, sem que consiga antever até onde irei. Mas terei de ir longe, porque ampla é a obra.

Ora, ao ler o Prefácio do saudoso académico, fiquei perplexo, porque ele nos conta que os Estados Unidos, ao terem-se determinado a assassinar Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa – salienta, muito à maneira dos juristas portugueses, que não foi o Estado, mas um punhado de norte-americanos!!! –, lhe inculcaram uma profunda desilusão, dado Portugal e os Estados Unidos serem duas democracias e serem, até, membros da OTAN. Sendo assim, mostrou-se profundamente desiludido, porque nunca havia imaginado que tal pudesse provir dos Estados Unidos.

Claro está que é preciso, muitas vezes, afirmar-se o politicamente correto, sobretudo quando se desempenharam já altos cargos, no país e no mundo. Mas se uma tal posição acaba por suscitar uma previsível reação junto de quem conhece os meandros da política, há sempre a possibilidade de evitar a tomada de posição expressa neste prefácio por Diogo Freitas do Amaral.

Objetivamente, não é aceitável aparentar desconhecer os mil e um crimes praticados pelas agências dos Estados Unidos por todo o mundo, incluindo o espaço europeu. Freitas do Amaral não pode desconhecer que os Estados Unidos ainda equacionaram assassinar De Gaulle, quando descobriram que a França estava também a construir a sua bomba nuclear, e logo depois a termonuclear. E De Gaulle só não foi morto por mero acaso e pelo bom senso prevalecente de algum americano determinante. E Aldo Moro? E Enrico Mattei? Enfim, não faltam exemplos em profusão.

O recurso ao crime, ao mundo do crime, à violência, à chapelada eleitoral, à corrupção ativa sobre políticos, à escuta ilegal – recordemos Snowden – e a mil e um outros meios, foi uma prática de sempre dos Estados Unidos, com presidentes democratas ou republicanos. Infelizmente, Diogo Freitas do Amaral já não vai ter a possibilidade de assistir ao fim da democracia, um pouco por todo o mundo, se Trump, O Bronco, vier a ser reeleito. Nem terá a oportunidade de ver o mundo ser mergulhado, mais uma vez, numa guerra generalizada. Se Trump, O Bronco, continuar na Casa Branca, como tantas vezes já escrevi, irá nascer a grande ditadura mundial, naturalmente comandada por Trump e, mais adiante, pelos seus descendentes.

Fiquei, pois, perplexo por Diogo Freitas do Amaral se ter mostrado desiludido com o homicídio de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. E também se não percebe esta desilusão, porque se não foi o Estado a mandar matar – e foi –, então porquê a desilusão por um tal ato vir de um punhado de norte-americanos – os Estados Unidos não são, não foram nunca, aliados nem amigos
de ninguém. Nunca foram, sendo que tudo irá ser incomensuravelmente pior se Trump, certamente com batota, continuar na Casa Branca.

Hélio Bernardo Lopes

 

 


 

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