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Para memória futura

Publicado quinta, 19 março 2020 00:00

O surgimento do COVID-19, tenha lá ele tido a origem que seja, permitiu-nos comparar duas realidades muitos badaladas desde sempre: a manutenção, ou não, de um serviço público de saúde, universal e tão gratuito quanto possível. Como se conhece desde que surgiu o nosso Serviço Nacional (...)


O surgimento do COVID-19, tenha lá ele tido a origem que seja, permitiu-nos comparar duas realidades muitos badaladas desde sempre: a manutenção, ou não, de um serviço público de saúde, universal e tão gratuito quanto possível.

Como se conhece desde que surgiu o nosso Serviço Nacional de Saúde Universal, de início Gratuito e hoje Tendencialmente Gratuito, a Direita – PSD e CDS – tudo fez para o inviabilizar, ou mesmo lhe pôr um fim. A verdade é que o PS e a Esquerda conseguiram sempre fazer valer aquele mínimo de humanismo cristão, que se materializa na existência do Estado Social, fugindo da regra do salve-se quem puder, tão do agrado de sempre da tal nossa Direita de Abril.

Ora, o COVID-19 veio permitir pôr às claras, ao menos para quem tenha o instinto natural de preservar a vida, dando-lhe uma primazia forte em face do lucro, a diferença que vai dos pontos de vista de sempre do PSD e do CDS, claramente presentes na estrutura político-social dos Estados Unidos, e a diversidade das situações dos Estados realmente civilizados, dentro de cujo conjunto nos situamos. E há uma palavra para materializar esta distinção: abismo.

O custo recentemente apresentado a quem foi pedir uma análise à sua situação em face do COVID-19, nos Estados Unidos, foi de 3000 dollars... Se não erro, cerca de 2900 euros. Em muitas situações – digo-o com sinceridade –, poderá dar para morrer de depressão súbita, digamos assim.

Infelizmente, aquele abismo não se fica por aqui, porque por entre nós o Governo de António Costa – a anterior Maioria-Governo-Presidente nunca faria tal – mostrou a capacidade e a determinação para olhar aspetos muito diversos, como que colaterais ao COVID-19. Nada disto, por enquanto e malgrado as mais que duvidosas afirmações de Donald Trump, está presente no seio da injusta, violenta e desumana sociedade plutocrata norte-americana.

Por fim, um elogio a toda a governação do País, com especial relevo para a Ministra da Saúde, Marta Temido, e para a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, que têm mostrado uma indiscutível capacidade de comando e controlo ao leme desta barca apanhada numa tempestade com grau 10 de Beaufort. E também para o Ministro das Finanças, Mário Centeno, que ontem mesmo salientou que há, nesta governação, tempo para tudo, agora com o do combate ao COVID-19 no primeiro lugar da grelha da intervenção política. A verdade, como agora se vê, é que a tal almofada sempre serve para alguma coisa...

E mesmo por fim, um abraço, imensamente sentido, para a classe dos profissionais de Saúde, que se têm empenhado com extraordinário denodo numa guerra que Portugal e os portugueses querem, determinadamente, vencer. E vamos mesmo vencê-la.

Hélio Bernardo Lopes
15 de março de 2020

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