segunda, 22 julho 2019
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Indícios crescentes

Publicado quarta, 03 julho 2019 00:00

No meu texto de ontem, O DITO POR NÃO DITO, centrado no mais recente recuo do PS em relação ao que seria de esperar do Governo de António Costa, no respeitante à nova historieta do faseamento das taxas moderadoras na Saúde, também referi, (...)


 

No meu texto de ontem, O DITO POR NÃO DITO, centrado no mais recente recuo do PS em relação ao que seria de esperar do Governo de António Costa, no respeitante à nova historieta do faseamento das taxas moderadoras na Saúde, também referi, muito en passant, o que já se vinha noticiando desde há uns dias sobre uma possível saída de José Vieira da Silva da área da governação.

Esta possível realidade havia já sido abordada na entrevista do ministro ao programa de Vítor Gonçalves, na RTP 3: se os meus joelhos permitirem, talvez possa continuar. A verdade é que há muito se percebe o fantástico apetite do setor privado pela área das reformas, até porque para o referido setor os mais velhos se constituem num verdadeiro empecilho. O Papa Francisco é fascinante – veem-se forçados a dizê-lo...–, mas a ação real dos paladinos do privado vai sempre no sentido inverso da orientação pontifical.

Ora, esta possibilidade de José Vieira da Silva deixar um setor que tão bem funciona desde que no mesmo colocou o seu saber e a sua boa vontade política, para mais sem que os joelhos o impeçam de trabalhar – se sair e for para o ISCTE-IUL, é porque pode trabalhar...–, leva-me a crer que o Governo de António Costa estará a dar passos largos no sentido de caminhar para uma inversão de posição política no domínio do Estado Social. Uma realidade já visível no setor da Saúde, sendo enormíssimo o desejo de repetir esta dose, sobretudo, com o setor da Segurança Social.

É no meio destes primeiros indícios, que hoje nos chegaram ecos das palavras de Silva Peneda, coordenador para a área da Solidariedade no Conselho Estratégico do PSD: o pior que pode acontecer, tanto na política económica, como nas políticas sociais, é andar aos ziguezagues, de molde a que haja um grande compromisso entre as forças políticas mais representativas. Ou seja: o PSD de Rio oferece, deste modo, ao PS a possibilidade de operar mais um ziguezague, mas agora a caminho das posições de sempre do PSD. Posições que, perante o surgir de um novo Governo da Direita, de pronto sofrerão um novo ziguezague, mas ainda mais para a Direita.

Cai assim por terra toda a defesa de que o atual Governo foi quem devolveu aos portugueses os montantes que foram retirados pela anterior Maioria/Governo/Presidente. Basta para tal que José Vieira da Silva se veja substituído, por exemplo, por Fernando Ribeiro Mendes, desde sempre um grande defensor das tais reformas (ditas) estruturais no setor da Segurança Social, ou seja, no ligado às reformas dos mais velhos.

Haverá de compreender-se que a saída de José Vieira da Silva da área da governação nada tem que ver com o estado dos seus joelhos, ou também não poderia trabalhar, mesmo no ISCTE-IUL. Mas como ficaria a sua imagem se as coisas caminhassem, consigo na liderança do setor que hoje sobraça, para as linhas ora propostas por Silva Peneda – as de sempre da Direita, ou seja, a privatização, parcial ou total, das reformas e pensões?...



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