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Batalha de La-Lys

Publicado terça, 19 maio 2020 16:20

A Batalha de La-Lys (França) repercutiu-se historicamente como um evento de guerra travado em plena I Guerra Mundial na qual a participação portuguesa foi alvo de um pesado número de baixas incitadas no seu exército que era de (...)


A Batalha de La-Lys (França) repercutiu-se historicamente como um evento de guerra travado em plena I Guerra Mundial na qual a participação portuguesa foi alvo de um pesado número de baixas incitadas no seu exército que era de origens humildes, camponesas e sem qualquer experiência militar. Mas contextualizando: em 1916, Portugal dá a sua entrada oficial, após um facto chave, a declaração de guerra da Alemanha a Portugal, devido à apreensão de todos os navios alemães em portos portugueses, a pedido da Inglaterra. A ação foi amplamente debatida, ganhando o argumento da defesa das colónias. A 26 de Janeiro 1917 embarcaram os primeiros portugueses rumo à Flandres francesa para a frente de guerra, subordinados ao exército inglês. Devido à dureza da realidade dos combates, à falta de reforços, ao Inverno frio e húmido, os portugueses encontravam-se debilitados física e emocionalmente.

A 9 de Abril de 1918 o setor de batalha é atacado pelas tropas alemãs, causando muitas perdas de vidas e graves repercussões na sociedade portuguesa, na qual uma parte morreu e a outra foi feita prisioneira.

A entrada de Portugal na Grande Guerra causou um clima de forte instabilidade na esfera política, financeira, económica e social, com a crescente miséria a deflagrar e o descontentamento social, abrindo a “questão das subsistências”. O custo de vida aumentava e o abastecimento de géneros escasseava com o desemprego a adensar. Este retrato português era generalizado inexoravelmente também em Vila Nova de Cerveira pela falta de condições higiénico-sanitárias, escassez de bens alimentares e medicamentos, elevados índices de analfabetismo, inflação alarmante dos preços dos géneros, deixando o país e a região vulneráveis à pandemia.

A juntar-se ao drama da Guerra Mundial, com milhões de homens mortos ou feridos em batalhas sangrentas por diversas frentes, surgia a fatídica epidemia, a “gripe”, mais conhecida como “pneumónica” ou “gripe espanhola”, ceifando milhares de vidas no seu decurso (a maior tragédia do século XX e possivelmente de toda a História).

Em Vila Nova de Cerveira o jornal “Echos de Cerveira” terá sido o primeiro órgão a comunicar que a pandemia se aproximava. Os eventos com grandes aglomerados foram cancelados, incluído por exemplo o encerramento de escolas e a redução do número de comboios. Demograficamente no ano de 1918 o número de nascimentos diminuiu consideravelmente e em 1917 evidenciou-se um menor número de casamentos com o número de mortos a aumentar, ou seja, o saldo fisiológico diminuiu consideravelmente nos anos de 1918 e 1919 (coincidindo com a pandemia da gripe e toda a instabilidade vivida).

Estão identificados pelo menos 66 militares cerveirenses, pelo Arquivo Histórico Militar, que estiveram presentes na guerra, com respetivo nome, categoria, localidade pertencente, data de embarque, data de desembarque e ainda algumas observações pertinentes.

Atendendo a que já existe um memorial para os que faleceram nas guerras do Ultramar, bem como uma avenida, exalta-se a pertinência da construção de um marco patrimonial, um monumento que sirva de homenagem a todos os mortos e desaparecidos na Batalha de La-Lys, cerveirenses que a travaram de modo heroico e servindo a pátria, dando-lhe as suas vidas.

Apela-se à sua edificação física no sentido de auxílio a que este facto histórico não seja também removido da consciência social e histórica, para que não se repita e fique na nossa memória enquanto povo, aludindo ao papel principal da História (a compreensão do passado para o entendimento do presente e do futuro). Como tal, este monumento ajudará na consciência memorial do povo de Vila Nova de Cerveira e de todos os seus visitantes ou turistas, para que conheçam um pouco melhor a história do município e do país nestes primórdios do século XX, com a participação numa guerra à escala mundial da qual Portugal conseguiu sair do lado dos vencedores e assim conservar as suas colónias, com a participação na assinatura do tratado de paz – Tratado de Versalhes.

Como local da sua implantação, sugere-se o novo espaço remodelado e ajardinado, no cruzamento entre a Rua 15 de Maio e a Av. José Luciano de Castro, possibilitando o aproveitamento de uma localização central como este com características apropriadas.

Rita Costa

Lic. em História da Arte

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