quarta, 01 abril 2020
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Para os que têm a mania que ajudam a mulher em casa

Publicado quarta, 04 março 2020 16:20

A crónica de hoje é para as mulheres! Que disparate. Calma! Calma, vamos começar de novo: - A crónica de hoje é para os que tem a mania que são machos, melhores do que os outros, que são mais importantes do que os seus defeitos, intempestivos, narcisistas, vivem para (...)


A crónica de hoje é para as mulheres! Que disparate.

Calma! Calma, vamos começar de novo: - A crónica de hoje é para os que tem a mania que são machos, melhores do que os outros, que são mais importantes do que os seus defeitos, intempestivos, narcisistas, vivem para as aparências, para a fachada, têm vidas muito menores do que os carros com que se pavoneiam, violentos para fazer doer. Esses mesmos...

Já agora, celebra-se no próximo domingo - dia 8 de março - o dia internacional da mulher.

É quase final do dia; a estrada rasga a paisagem, em módulo semiautomático encaminho o carro rumo a casa, momento que aproveito para relaxar e procurar o conforto da rádio; quase colapso quando ouço que “Se perguntarmos a 100 mulheres casadas e com filhos se gostariam que os maridos ajudassem mais em casa, quantas responderão que sim? Se pensou num número qualquer entre 90 e 100, a resposta não estará longe da verdade... a não ser que nos foquemos na palavra “ajuda”, e a repudiemos pela carga discriminatória que carrega”.

«Ajudar» é interessante. Vai aí uma ajudinha? Quem não a quer.

Não gosto de conduzir carros, mas sempre que posso, ouço rádio.

Sem colocar em risco a segurança rodoviária, adoro uma boa voz a ecoar nos ouvidos e a entranhar-se alma acima. Bem sei que nem todas as vozes são barítonos afinados, algumas parecem mesmo canas rachadas, mas há outras que são sublimes.

As vozes mágicas da rádio são veículos que sibilam conhecimento e notícias, captam a nossa atenção. Uma espécie de sopro sonoro, a voz, essa poderosa ferramenta de comunicação simultaneamente antiga e moderna.

Voltando ao aparelho radiofónico, o contraste entre a perspetiva antiga e a moderna das lides de domésticas era a mensagem que a voz da rádio continuou a espalhar, quando disse que o psicólogo espanhol Alberto Soler tornou a questão da «ajuda dos homens em casa» uma discussão famosa ao partilhar no seu computador um comentário banal que ouviu a duas senhoras no supermercado, que o elogiavam por estar a fazer compras com os seus filhos gémeos de 15 meses e assim - lá está - a «ajudar» a sua mulher.

Pelos vistos o «ajudante» psicólogo espanhol estava com pressa, mordeu a língua e foi embora, mas, como tantas vezes nos acontece, ficou a pensar no que deveria ter dito. E foi isso que escreveu no seu computador, em poucos minutos, entre fraldas e biberões:

- «Eu não ajudo em casa, eu faço parte da casa», começava por explicar. «E não, eu não ajudo a minha mulher com as crianças porque não posso ajudar alguém com uma coisa que é da minha inteira responsabilidade.»

- «Quero que meus filhos cresçam sem saber se passar a ferro é uma coisa de homens ou mulheres. Que eles não saibam se ir lavar a casa de banho é tarefa do pai ou da mãe. Que não associem a cozinha ao feudo de ninguém, nem o aspirador, dobrar roupas ou arrumar os armários. Que não haja um “chefe” da casa, e vivam da maneira mais feliz possível.»

- «Por isso não, minhas senhoras, não ajudo a minha esposa com os filhos. Nem com a casa. Estou com eles no supermercado e ando com eles às compras porque são meus filhos e me acompanham onde quer que eu vá. Troco as suas fraldas, dou-lhes banho, levo-os ao parque ou preparo a comida deles não para ajudar minha esposa, mas porque são meus filhos, é a minha responsabilidade e quero que cresçam com um modelo familiar e uma distribuição de tarefas diferente daquela que as senhoras e eu tivemos.»

Pelos vistos este texto provocou uma reação descomunal, uns a favor e outros a enxovalhar o ajudante cavalheiro, o normal.

Em defesa da opinião deste psicólogo destaco uma das principais indicações de terapia de casal para totós: - As relações dependem sempre de ambos os intervenientes.

E já está. Agora vou preparar uma sopinha de alho francês enquanto a minha mulher corrige este texto. Aqui em casa é assim, temos a mania que partilhamos as tarefas.

Vítor Nelson Esteves Torres da Silva
Vila Nova de Cerveira,
26 de fevereiro de 2020

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