sábado, 14 dezembro 2019
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Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima 2019 – O Jardim mais votado pelo público - “Vertigem (IR) Reversível”

Publicado terça, 19 novembro 2019 13:59

Os visitantes do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima 2019, 15ª edição sob o tema “Os Jardins do Fim do Mundo” votaram maciçamente no Jardim “Vertigem (IR) Reversível” que nos reporta para uma viagem até ao juízo (...)

Os visitantes do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima 2019, 15ª edição sob o tema “Os Jardins do Fim do Mundo” votaram maciçamente no Jardim “Vertigem (IR) Reversível” que nos reporta para uma viagem até ao juízo final.

De autores portugueses, a conceção da ideia pertence a dois jovens investigadores, naturais de Barcelos, que em comum partilham a paixão pela jardinagem amadora. E sobre a sua criação consideram que retrata uma “viagem metafórica ao juízo final, onde no purgatório somos confrontados com a dicotomia resultante da nossa inação, quando restam dois minutos para a meia-noite, ou catástrofe global. Mas resta ainda esperança, caso deixemos de ignorar os pecados do capital.”

Confira a apresentação do jardim aos visitantes: “Num ímpeto laicizador do juízo final, apresenta-se o Jardim • Vertigem (ir)reversível.

De simetrias curvilíneas e proporções áureas, o Jardim de biomas em transmutação (de)gradativa baliza-se entre a pureza do alfa (α) argênteo e a decadência do ómega (Ω) ferrugento, entreligadas pelo passeio pecaminoso plúmbeo e pela contracorrente purificante alva. O declive e as linhas suaves convergem para o ponto focal e elevado do Jardim, conferindo ao purgatório vertiginoso a sensação de precipício. Ascendendo-o, é-nos revelado, através da porta abissal com chaves do céu, a dicotomia premente quando restam 2 minutos para a meia-noite...

As balizas gregas aludem ao Mundo como o principiamos a conhecer e como o findamos a corromper. No percurso sinuoso, deambula-se sobre os 7 pecados do capital que compendiam as causas que aproximam perigosamente a catástrofe global, advinda das alterações climáticas e da sexta extinção em massa. Encontram-se subtérreos sendo alumiados lívida e tremulamente, como metáfora da hipocrisia em ignorar o que nos encandeia reiteradamente. No riacho serpenteante, lava-se os pecados explícitos com virtudes implícitas, especialmente daqueles que os encaram e não os recalcam.

As transmutações nos biomas ajardinados são apanágios da inépcia (α→Ω) e da esperança (α←Ω) humanas. Os biomas assemelham-se a embriões (umbilicados à dupla hélice vital), para relembrar que se está a privar de futuro o futuro de nós. Com as alterações climáticas, o Mundo e a Vida não perecerão mas desfigurar-se-ão! O que hoje é tropical irisado, amanhã poderá ser mediterrâneo perfumado; e o que é este último, poderá ser desértico sequioso. O contralateral é a crença da reversão climática, onde o hoje, quiçá depois de amanhã, voltará a hoje.

Envolto por uma atmosfera transcendental, o purgatório acolhe os incautos. Os 3 degraus elevam à porta a apontar ao céu, cujas fechaduras aludem à dicotomia angustiante abaixo: paraíso vs. inferno. Lá, no abismo, o relógio Dalíano sobre a balança da justiça pende o destino para o negrume desvitalizado. Marca 23h:58min, em acerto com o Relógio do Apocalipse, onde a meia-noite eufemiza a catástrofe global antropogénica. Mas o prato da direita está vago! Com máxima urgência onere-se-o com economia verde, circular e sustentável, ética e educação, que certamente a balança equilibrar-se-á. A Vertigem é, afinal, Reversível!

Quase como sendo premonição, o jardim mais votado, vai continuar em exposição na 16ª edição do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, em 2020, enquadrando-se no tema escolhido “As Religiões nos Jardins”.

A segunda preferência do público recaiu sobre o “Jardim da Amizade” que reflete um jardim rico em elementos da cultura oriental com apontamentos da cultura portuguesa. Este jardim, tem o intuito de enaltecer as relações entre Portugal e China, reconhecendo o seu valor cultural e histórico. Dá relevo também à coragem dos Portugueses em navegar por mares desconhecidos e conhecer outros povos e também à fusão com as tradições Chinesas. Cada elemento contemplado neste jardim tem um significado histórico e cultural para os macaenses, chineses e portugueses.

A seleção das novas propostas para a edição 2020, que tem como tema As Religiões nos Jardins, decorrerá no corrente mês.

Para mais informações consulte: www.festivaldejardins.cm-pontedelima.pt ou através do email: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

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