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“Cerveira dos Cerveirenses”

Publicado terça, 20 abril 2021 15:34

Vila Nova de Cerveira pode ser uma terra pequena em território, mas tem gente com uma alma e garra enormes. É com este espírito e com esta atitude que se tem construído um concelho alicerçado numa história digna de ser (...)


ABERTURA DAS COMEMORAÇÕES DOS 700 ANOS DA FUNDAÇÃO DO MUNICÍPIO E CENTENÁRIO DA INAUGURAÇÃO DO EDIFÍCIO DOS PAÇOS DO CONCELHO - 9 ABRIL 2021
DISCURSO DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, FERNANDO NOGUEIRA, INCIDIU SOBRE O TEMA “CERVEIRA DOS CERVEIRENSES”

 

Vila Nova de Cerveira pode ser uma terra pequena em território, mas tem gente com uma alma e garra enormes.

É com este espírito e com esta atitude que se tem construído um concelho alicerçado numa história digna de ser preservada, valorizada e relembrada.

De facto, são 700 anos a fazer história, com momentos notáveis e outros mais conturbados.  Mas, para todos eles, os Cerveirenses souberam dar a sua melhor resposta, conseguindo sempre ultrapassar e triunfar.

A exemplo da grandiosa história de Portugal, também a história de Vila Nova de Cerveira é feita de conquistas, de sacrifícios, de pulso.

Quem nunca leu sobre a última batalha simbólica que Portugal travou pela independência no dia 25 de agosto de 1580. Foi o último ato da resistência, no Continente, dos que não aceitavam que D. Sebastião tivesse como sucessor aquele que, na altura, era o monarca mais poderoso da Europa, Filipe II.

A derrota em Alcântara abriu assim caminho aos espanhóis e à dinastia que ficou conhecida como Filipina. Em termos simbólicos, foi a batalha desesperada que viria a determinar o futuro de Portugal durante os 60 anos seguintes, até ao início da Guerra da Restauração da Independência, em 1640, com a vitória decisiva de Portugal.

Também Vila Nova de Cerveira foi sempre um concelho muito apetecível para os nossos vizinhos. Um dos exemplos maiores é a extinção e a restauração do concelho. Em julho de 1895, o concelho de Vila Nova de Cerveira foi desmembrado, desapareceu do mapa administrativo de Portugal, com as freguesias a serem distribuídas pelos concelhos vizinhos de Caminha e de Valença.

Mas com bravura e persistência, as populações de algumas dessas freguesias deram um sinal destemido de desacordo, através de um ato público de revolta na Vila. Dois anos e meio depois, o Governo de José Luciano de Castro restaurou o concelho por decreto de 13 de janeiro de 1898.

Há também aqueles Cerveirenses que lutaram pelas causas nacionais. Foram corajosamente enfrentar o desconhecido, porque uma guerra é sempre imprevisível, e, infelizmente, muitos pereceram sem o merecido reconhecimento.

E porque a 9 de abril de 1921, dois Soldados Desconhecidos, vindos da França e da África Portuguesa, foram transladados para o Panteão Nacional, como símbolo do sacrifício heroico do Povo Português, consideramos que seria oportuna fazer uma homenagem aos Cerveirenses que, além da Primeira Grande Guerra, lutaram na Guerra Peninsular e aos militares tombados na Guerra Colonial.

Outro facto do papel incontornável dos Cerveirenses na construção da nossa história é precisamente a projeção e execução do atual edifício dos Paços do Concelho, cuja inauguração aconteceu há exatamente 100 anos. Foi com muita resiliência, sacrifício e um esforço incalculável que os nossos antepassados ergueram aquele edifício, mesmo perante sucessivos impasses burocráticos e financeiros. Mas também aí os Cerveirenses uniram-se e fizeram história.

E hoje estamos precisamente a assinalar o primeiro centenário da sua inauguração, e também o arranque oficial das comemorações mais alargadas dos 700 anos da Fundação de Vila Nova de Cerveira

Infelizmente, esta não é a cerimónia que idealizamos. Queríamos ter os Cerveirenses porque os Paços do Concelho é a Casa de todos os Munícipes, mas é o possível dado o contexto excecional que estamos a viver com esta pandemia Covid-19.

Este edifício é, sem dúvida, uma marca da nossa identidade porque já reúne 100 anos de história do poder autárquico local e é um símbolo da democracia.

Tivemos e temos gente de garra, de fibra, trabalhadora e empreendedora.

A história ensina-nos quase tudo na vida. Por isso, temos de a conhecer muito bem para desenvolver o presente e programar o futuro. Cabe a cada um de nós prosseguir com este valioso legado.

Apesar de haver alguns saudosistas da Ibéria, somos orgulhosamente Portugueses.  Temos imenso orgulho em ser Cerveirenses. E queremos continuar sempre a ser Cerveirenses.

Caras e Caros Cerveirenses,

As datas históricas têm de ser devidamente assinaladas.  Os nossos antepassados, o nosso Rei D. Dinis, os Cerveirenses de hoje e as gerações vindouras merecem.

São 700 anos a fazer história. E muitos mais virão!

Cerveira e os Cerveirenses estão de parabéns!

Muito obrigado a todos!

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