domingo, 24 junho 2018
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A Porta do Românico da Viagem no Tempo pelo Alto Minho abriu-se em Ponte da Barca

Publicado segunda, 18 junho 2018 17:22

Percorrer a Rota do Românico no Alto Minho, no âmbito da Viagem no Tempo promovida pela CIM, é fazer um percurso singular pela história do nosso país. Isso mesmo foi comprovado no passado sábado, aquando da abertura da Porta do Tempo do Românico, em Ponte da Barca, (...)

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Percorrer a Rota do Românico no Alto Minho, no âmbito da Viagem no Tempo promovida pela CIM, é fazer um percurso singular pela história do nosso país. Isso mesmo foi comprovado no passado sábado, aquando da abertura da Porta do Tempo do Românico, em Ponte da Barca, que até atraiu lisboetas à iniciativa.

“Este é um território excecional a vários níveis”. A afirmação é da conferencista Lúcia Rosas, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que explica que a singularidade do românico no Alto Minho deve-se “à influência que sobre ele exerceu o românico galego, uma vez que a zona entre Lima e Minho esteve sujeita à Sé de Tui e não à Sé de Braga até ao século XV”. Tal acontecimento deu origem a um duplo fenómeno: “politicamente, estamos em Portugal; eclesiástica mente, os mosteiros e igrejas obedecem à Sé de Tui”. Essa singularidade abarca a relação com a fronteira, no âmbito da qual “os próprios mosteiros participaram numa atividade construtiva, como é o caso da construção das muralhas de Monção e Melgaço”. A este fenómeno acresce o facto de esta ser a zona de Portugal onde se concentra o maior espólio de escultura românica.

A presença do românico no Alto Minho foi tema das conferências que, no sábado de manhã, decorreram em Ponte de Barca, no âmbito do projeto da CIM Alto Minho “Alto Minho 4D - Viagem no Tempo”.

Para o presidente da Câmara de Ponte da Barca, Augusto Marinho, a época histórica atribuída ao seu concelho é motivo de orgulho, pois “nesta rota do românico, temos aqui património edificado de grande relevância, como são exemplo os Mosteiros de Bravães, de S. Martinho de Crasto e de Vila Nova de Muía”. Para o autarca, “o Alto Minho tem um património extremamente valioso, sendo um dos grandes expoentes de atratividade do nosso turismo”, pelo que classificou de “extremamente importante esta iniciativa que a CIM está a levar a efeito”.

O projeto será aproveitado para, em primeiro lugar, dar a conhecer à população local a riqueza do seu património, cultura e tradições, para que depois os “naturais possam com o seu conhecimento local servir de alavanca para a promoção e captação turística”, explicou Augusto Marinho, na cerimónia de abertura da conferência.

O autarca frisou e valorizou o trabalho cooperativo entre as câmaras da região: “Os municípios têm uma vertente competitiva de captação de investimento para o seu concelho; e têm também uma vertente cooperativa, onde entra a CIM com projetos como este, para se conseguir uma oferta global, mais abrangente, mais atrativa, e em escala; com mais capacidade de atração para quem nos visita e mais rentabilidade para os municípios, com efeitos mais sólidos e duradouros”.

Sketchers viajam de Lisboa até Ponte da Barca

A Viagem no Tempo pelo Alto Minho está a abrir as primeiras portas do projeto, mas já está a conseguir captar visitantes. Helena Monteiro, Rosário Félix e Isabel Braga viajaram de Lisboa para estarem presentes, no passado sábado, na atividade “Sketching com História”, que integra também este projeto da CIM Alto Minho, numa parceria com a Associação Urban Sketchers Portugal (UskP). Três dezenas de sketchers invadiram Ponte da Barca, registando em papel uma viajem inesquecível.

Helena Monteiro veio de Lisboa, porque diz-se fascinada “pelos verdes e beleza desta terra”. “Os verdes do Minho são únicos para mim”, explica. Já Rosário Félix foi a primeira vez que visitou Ponte da Barca, e mostrou-se encantada “também pelos verdes, mas também pelo edificado”. Uma relação harmoniosa que, segundo esta sketcher lisboeta, está muito bem conseguida em Ponte da Barca. À vila minhota regressou, trinta anos depois, Isabel Braga. “Vim, porque gosto muito do Minho, gosto muito destas janelas, do granito, da construção das igrejas, têm um ar imponente e eu gosto muito disto”.

Deste projeto da CIM Alto Minho faz também parte uma visita-performativa, dinamizada pelas Comédias do Minho e pelo Teatro do Noroeste - Centro Dramático de Viana. No sábado, realizou-se uma visita à igreja do Mosteiro de Bravães, orientada pelo arquiteto Alexandre Alves, que mostrou tratar-se de uma igreja tardia, que não é do início do românico no nosso país, dadas as suas caraterísticas de uma nave única com dois volumes e uma forte simplificação compositiva do espaço. A performance mostrou a construção de 10 casas em adobe com terra e palha local e contou com a colaboração de crianças e residentes da freguesia de Bravães.

As Portas do Tempo regressam em setembro

Depois de Ponte da Barca, as Portas do Tempo farão uma pausa no período de verão, regressando a 22 de setembro, em Valença, com a “Rota dos Castelos e Fortalezas”.

Segue-se Melgaço, no dia 20 de outubro, com a “Rota dos Mosteiros”; Viana do Castelo, a 17 de novembro, com a “Rota dos Descobrimentos”; Arcos de Valdevez, no dia 8 de dezembro, com a “Rota do Barroco”; Paredes de Coura, a 12 de janeiro de 2019, com a “Rota da Arquitetura Tradicional”; e, finalmente, a viagem termina em Vila Nova de Cerveira, no dia 9 de fevereiro do próximo ano, com a “Rota do Contemporâneo ao Futuro”.

De recordar que o projeto “Alto Minho 4D – Viagem no Tempo” foi aprovado pelo Programa Operacional Regional do Norte – Norte 2020, no domínio do “Património Cultural”, e pretende criar uma rede de 10 rotas/ itinerários cronológicos culturais baseados na história e nos bens patrimoniais do Alto Minho. Com esta iniciativa intermunicipal, cada um dos concelhos do Alto Minho encabeçará uma dessas rotas que funcionará como o “portal” de acesso a uma “estação do tempo” (um núcleo museológico que funcionará num determinado espaço físico), que irá dispor de uma série de valências e no qual se apresentará uma sequência de recursos patrimoniais alusivos a essa rota e a serem visitados não só nesse concelho, mas em todo o território, promovendo-se um circuito (touring) cultural pelo Alto Minho e, consequentemente, a mobilidade turística na região.

Cristina Paço, CIM Alto Minho

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